Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008

Trabalho de Geopolítica

Os Governos Russos ao Longo da História
Lisa M. C. Henriques


O Apogeu de Kiev
Desde os tempos mais remotos, a vida dos Eslavos esteve associada ao mar. Estabeleciam-se, como a grande maioria dos povos nas imediações de rios e lagos. As suas técnicas de construção naval foram melhoradas gradualmente, o que tornou possível que no século sétimo a navegação não se limitasse apenas aos rios, abrangendo também os mares abertos. A Tesalónica, Creta, a costa sul de Itália e Constantinopla foram zonas dominadas por estes exploradores que envolviam os Bizantinos em sucessivas batalhas navais.
As principais e mais antigas cidades russas foram Kiev e Novgorod que floresceram devido à sua localização privilegiada no que diz respeito à sua ligação com o mar e consequentemente com a principal rota comercial que se processava dos Vikings para os Gregos.
Deste período emergiram muitos dos primeiros heróis russos, figuras históricas ou puramente lendárias que definiram o futuro de um povo.
No século nono o Grande Príncipe Kiev Oleg, com uma frota de lodyas atacou Constantinopla. A sua campanha vitoriosa provou a independência e poderio dos Russos de Kiev. De acordo com as crónicas o príncipe Oleg terá erguido o seu escudo no portão de Tsargrad, regressando depois a Kiev com os tesouros conquistados.
O seu sucessor, em 941 o Grande Príncipe Igor Rurikovick, foi derrotado num ataque contra Tsagrad, mas em 943 reunindo uma força superior lançou sucessivos assaltos a Constantinopla, reclamando assim o direito de efectuar trocas comerciais com os Bizantinos.
Juntamente com os seus guerreiros fieis, o Grande Príncipe Sviatoslav Igorevich (o sábio) tornou-se famoso pelos seus actos de valor, sendo a conquista de Khazaria em 966 a mais celebrada. Dezasseis anos mais tarde o seu filho, Grande Príncipe Vladimir Monomakh, incentivou os Bizantinos para mais uma batalha naval, da qual resultaram as relações pacíficas que permitiram aos habitantes de Kiev iniciar a sua criação artística como construtores navais, associando às suas técnicas a utilização da pedra. Em 1043 iniciaram a sua nona campanha contra Constantinopla, G.P.Vladimir navegou até Bosporus onde destrui completamente a força naval Bizantina. Com esta batalha terminaram os assaltos a Tsagrad. Com a morte de Vladimir, a luta entre príncipes acentuou-se, tendo como consequência a desunião e enfraquecimento dos mesmos, que deixam para segundo plano as seus conflitos com os Estados vizinhos, passando a utilizar as suas frotas de lodyas em conflitos “internos”.
Yuri II (1212-1237) e os seus esforços para fortalecer as fronteiras a Este da Rússia foram inspirados pelo pressentimento dos ventos que se aproximavam. Assim a poderosa força “Ordem dourada” foi reunida a Este, de onde os Mongois desceriam para impor sobre a Rússia o seu domínio que durou aproximadamente três séculos.
O período Novgorod e Moscovita
Devido à diplomacia e políticas seguidas pelos príncipes de Novgorod esta cidade nunca foi saqueada pela “Ordem”. O povo de Novogorod ficou conhecido pelas suas explorações marítimas, os seus lodyas eram maiores, constituindo uma ameaça proporcional para os seus inimigos. Como forma de protecção e fortalecimento do comércio empreendiam batalhas tanto terrestres como navais contra os Suecos, mas estes não eram os únicos sacrificados, também os “Cavaleiros Bélicos Alemães” eram afastados. O Oceano Árctico não era desconhecido pelos Novgorod, já que no final do século doze governavam as colónias a norte de Perm, Pechora e Yurga, na região norte dos Urais. No principio do século catorze, os príncipes de Novgorod reclamavam para si o direito de navegar livremente no Mar Báltico. Para suster o exercito Sueco, foi construído o forte “Karela” (1310) perto da actual Finlândia, na boca do rio Neva, ao qual se seguiu a construção de outros dois fortes, o primeiro na confluência entre o rio Neva, “Oreshek” (1323) e o segundo na confluência entre o rio Okhata e o rio Neva, “Kanzi” (1349). Exploradores Novgorod entraram no “Mar Frio”, como o denominavam, estabelecendo-se os Russos ao longo da sua costa, os pioneiros desta região, os residentes das imediações do mar, ficaram conhecidos como Pomors .
Entretanto Moscovo ganhava força e expandia o seu território. O primeiro verdadeiro Estado Russo foi estabelecido quando os príncipes Moscovitas anexaram os territórios circundantes nos século XVI e XVII. No entanto, com todo o seu território não possuíam ainda um porto marítimo. Como consequência os Otomanos após tomarem a Crimeia tornaram-se na força dominante do Mar Negro. Em 1478 Novgorod é anexada por Moscovo, o monopólio Novgorod vê-se assim enfraquecido, o que colocou a Rússia numa posição desfavorável relativamente ao Mar Báltico. Moscovo, vi-a se incapaz de competir com a Inglaterra, a Holanda e a Alemanha que assumiram o comércio Russo.
O Grande Príncipe, primeiro Czar Russo, Ivan IV (o terrível) procura recuperar o poderio Russo, através de uma entrada para o Mar Cáspio, enviando o seu exercito para a região sul do Volga, Kazan (1552) e Astrakhan (1556), ao tomar a cidade de Narva, no território da actual Estónia, perto do Mar Báltico, passa a dominar o transporte de mercadorias que se efectuava entre Moscovo e o Báltico (a denominada rota marítima de Narva), este domínio manteve-se por aproximadamente vinte anos, perturbado unicamente pela pirataria que se verificava no Mar Báltico. Como resposta a esta perturbação provocada por piratas de Danzig, Ivan IV, financia o armamento de um navio e publica uma carta de patente da rota, o que lhe permitia atacar e saquear todos os navios que não circulassem com a bandeira do Czar hasteada. Narva acabou por ser tomada pelos Suecos em 1581, que cessaram o comércio ao longo da rota de Narva.
Em 1555 Ivan IV garantiu privilégios aos mercadores Ingleses, o que possibilitou a fundação da “Companhia de Moscovo”, a qual começou a enviar anualmente navios para o estuário de Severnaya, os Holandeses aderiram e em 1584 foi fundada a cidade de Arkhangelsh. Foi nesta altura que um Cossaco, chamado Yermak Timofeyevich, explorou as terras da Sibéria, reclamando-as para a Rússia.

O Período dos Romanov
No início do século XVII, a Rússia sofreu um período conturbado, o interregno entre o fim da Dinastia Rurik e a ascensão da Casa Romanov.
A Suécia aproveitou esta crise interna que enfraquecia a Rússia, para a obrigar a cumprir as exigências por si impostas no Tratado de Stolbov. Como consequência a Rússia foi obrigada a indemnizar a Suécia, entregar os seus fortes de Ivgorod, Kanzi e Oresheck e honrar o direito de comercio monopolista no Mar Báltico a favor da Suécia. Não seria a última vez que a Suécia subjugaria a Rússia, apenas algumas décadas mais tarde, em 1656, com o Tratado de Paz de Cardis, a Rússia viu se obrigada a entregar os territórios capturados e todos os navios construídos em Tsaverich- Dmitriev. Os Ingleses e os Holandeses também se aproveitaram da situação, aumentando o seu domínio no Mar Branco. Com o crescimento do numero de navios que circulavam ao longo da rota de Mangazeya, a Rússia sentiu-se ameaçada. Assim, em 1616 o primeiro Czar Romanov, Mikhail Fyodorovich, impôs a pena de morte a todos os navegadores apreendidos nessa mesma rota. Durante grande parte do século XVII os Russos exploraram o rio Lena, o Kolyma e o Indigirka, estabelecendo-se na região superior do Amur, o explorador desta região mais celebrado foi Semyon Dezhnev que em 1648 navegou ao largo da extensão total da Rússia através do Oceano Árctico, transpondo todas as barreiras até ao Oceano Pacifico.
Em 1677 a Rússia estabelece uma aliança formal com o Império Alemão para poder fazer frente aos Otomanos. Em 1682, com dez anos, Pedro Alekseevich tona-se Czar.

Pedro I e o período Imperial
Em 1693, Pedro I chega a Arkhangelsh, onde ordena a criação de um estaleiro do Estado. Um ano mais tarde compreende que Arkahangelsh era extremamente limitado como porto, consequência do clima severo que se fazia sentir no Árctico e da sua distancia do centro da Rússia, o que não lhe permitia ser o porto principal do país. O acesso directo aos mares Báltico e Negro passaram a ser uma prioridade de Pedro I, mesmo tendo consciência de que seria impossível enquanto os Turcos detivessem o poder sobre o forte de Azov. Na tentativa de capturar este forte a força Russa sofreu uma derrota desastrosa.
Mas a 18 de Julho de 1696, Azon rendeu-se, não chegou a haver um confronto entre Turcos e Russos, já que estes se apresentavam com uma força naval muito superior. Mesmo com esta vitória surpreendente Pedro I estava determinado a criar uma verdadeira marinha Russa, assim em 1696 a base Naval de Azov foi fundada, a qual era comandada pelo Czar.
Em 1699 a frota Russa de Azov largou em direcção a Kerch, uma península da Crimeia. No ano seguinte após a primeira missão diplomática Russa em Constantinopla foi assinada uma trégua que declarava o Mar de Azov como oficialmente Russo. Mesmo assim em 1711, com o Tratado de Prut, as terras de Azov voltaram para mãos Turcas após as derrotas do exercito Russo.
A rivalidade existente entre a Rússia e a Suécia, desde o tempo dos Vikings e dos príncipes de Novgorod, intensificou-se durante o reinado de Pedro I, tendo culminado em vinte longos anos de Guerra. A Suécia dominava o Báltico, sendo a presença Russa considerada como invasão. Em 1701 a vitória no estuário da Divina salvou Arkhangelsh, que permaneceu como a ligação Russa com o Norte da Europa. A 16 de Maio de 1703 Pedro I fundou o forte de St. Petersburg na ilha Zayachy, na boca do Neva. A Marinha Russa foi bastante bem sucedida ao longo da Guerra do Norte. Em 1704 recuperou Narva, e as tentativas Suecas de se aproximar do forte de St. Petersburg frustradas. A Guerra decidia-se entre os exércitos de Pedro I e Carlos XII da Suécia, e em 1709 estava concluída a primeira fase da guerra com a vitória Russa em Poltava.
Numa tentativa Sueca de recuperar Poltava, os Holandeses, poderosos aliados Russos acorreram em seu auxilio, Pedro I conseguiu assim concentrar as suas forças no Norte. Em 1710 ao receber a noticia da vitória Holandesa em Kjoge, Pedro apercebeu-se que as suas relações amigáveis com tal aliado do Norte, assim como com o Reino da Dinamarca, continuariam a desempenhar um papel importante no futuro da Rússia. O exercito de Pedro I foi bem sucedido na maior parte das suas campanhas. Assim resolve em 1714 anexar a Finlândia e o Arquipélago de Aland, de forma a poder atacar a Suécia. No verão de 1716 à frota Russa, concentrada ao largo da costa de Danish, juntaram-se navios Dinamarqueses, Britânicos e Holandeses formando a armada aliada sob o comando de Pedro I. Após sucessivas vitórias Russas, em 1718, Carlos XII da Suécia morre, adiando todas a negociações de paz iniciadas. A Inglaterra, ansiosa com o fortalecimento óbvio da posição Russa no Báltico, optou por se aliar à Suécia e defender os seus interesses. Foi muito difícil parar a Rússia que nessa altura estava firmemente estabelecida no Báltico. No ano seguinte os navios Suecos ao serem capturados no mar aberto foram forçados a hastear as cores Russas. Quando se aproximava o desfecho da Guerra, deflagrou mais uma batalha, desta vez pelo controlo das águas territoriais do Arquipélago de Alan, com consequências mais uma vez desfavoráveis para a Suécia. Tornava-se claro que o Império Sueco perdera definitivamente para a Rússia o seu domínio sobre o Báltico, uma posição que conservava desde o tempo dos Vikings.
A Rússia foi reconhecida como o Estado mais poderoso do Báltico. De acordo com os termos do Tratado de Paz de Nistardt, assinado a 30 de Agosto de 1721, foi concedida à Rússia a posse de Lifland, Estland, Karelia assim como das cidades de Vyborg e Kekshom e das ilhas do Golfo da Finlândia.

Campanhas do Século XVIII
De Catarina I a Pedro III, nenhum dos governantes Russos partilhou a paixão de Pedro I pelo mar. Sendo inconcebível que os seus sucessores compreendessem o papel da marinha na demonstração do poderio e estatuto mundial da Rússia. Não parecia prudente manter uma frota numerosa que embora tivesse trazido glória para a Rússia, tornara exaustos os recurso após vinte e um anos de conflito incessante.
Mesmo assim a passagem para a Índia e China pelo Oceano Árctico era um objectivo fundamental da política externa Russa. Nesse sentido em 1728-1729, iniciou-se uma expedição sob o comando do Capitão Bering. Este provou a inexistência das lendárias terras a este e sul de Kamchatka, mas não encontrou o que procurava. Em 1733 o governo organizou uma exploração sem precedentes para a costa norte e este da Sibéria, a partir de Kamchatka. Enquanto outra expedição seguia em busca do caminho marítimo para o Japão ao longo das ilhas Kuril, explorando a costa do Oceano Árctico. Consequência desta expedição foram uma série de descobertas, tais que muitas áreas geográficas e corpos de agua foram nomeados para honrar os oficiais do século dezoito, que pela primeira vez os exploraram: o estreito de Malygin e Ovtsin, a costa de Pronchishchev, o cabo de Chelunskin e o Mar de Laptev. Em 1741 os navios de Bering chegaram à América do Norte enquanto que os navios sob o comando do Capitão Spanberg foram os primeiros a alcançar as costas de Sakhalin e do Japão. A informação reunida durante esta expedição ajudou na compilação da parte Este do Mapa Geral do Império Russo, desenhado em 1745.
Enquanto descobria novos territórios, a posição Russa no Báltico foi assegurada. Na Polónia, o trono pertencia a Stanidlav Leshchinsky, que era suportado pelo Rei Luis XV de França. Em oposição à França Ana Romanova ordenou que Augusto III fosse coroado Rei da Polónia. Em Maio de 1734 deflagrou um conflito em Danzig, consequência de disputas relativas ao trono polaco. Os franceses renderam-se em Junho e a cidade de Danzig foi ocupada pelas tropas Russas. O confronto terminou de forma favorável para Augusto III.
A derrota Sueca na Grande Guerra do Norte não fora de maneira nenhuma esquecida, aguardando estes a altura da vingança. Uma vingança amarga, a derrota em Vilmanstrad em 1741.
Os Turcos com as suas tentativas de recuperar os fortes perdidos para a Rússia concentravam os esforços dos navios Russos do Mar Negro para a defesa dos territórios, impedindo a sua acção noutros campos. Com o tratado de Paz de 1739, foram entregues ao Imperio Otomano as cidades destruidas de Ochakov e Kinburn, mas a cidade de Azon permaneceu na posse dos Russos. Assim a Guerra Turco-Russa de 1768-1774 não constituiu uma surpresa para Catarina II. Com o fim da guerra os Turcos abdicaram das cidades de Taganrog, Kerch e Enikale, assim como da costa entre Dnieper e o rio Bug e do forte de Kinburn. A Crimeia e Kuban foram declaradas independentes da Turquia.
Em Novembro de 1769 estavam criadas as condições para que os Russos entrassem pela primeira vez da História no Mar Mediterrâneo. Os Gregos combatiam contra os seus conquistadores Turcos quando o esquadrão de Spiridov acorre para os assistir. As forças turcas eram três vezes superiores em numero. A Batalha de Chesma teve perdas proporcionais às forças opositoras, mas terminou com uma vitória decisiva contra o Império Otomano.
O governo Russo compreendia assim a importância de manter a marinha para atingir os objectivos da sua política externa.
Em 1783, após a Crimeia ter sido anexada pela Russia, os oficiais agradados com a localização, decidem construir um porto e uma cidade. Assim se funda a cidade de Sevastopol. O porto desta cidade logo se tornou na principal base naval no Mar Negro, o que possibilitou o restabelecimento da rota comercial “dos Vikings para os Gregos”.
Em 1787 rebentou nova Guerra Turco- Russa. A 1 de Outubro desse mesmo ano com as capacidades militares de Suvorov , os Russos levaram a Turquia a mais uma derrota.
Nos anos seguintes as batalhas não cessaram , perpetuando-se.

O Século XIX
Alexandre I foi proclamado imperador da Rússia em Março de 1801, o qual encabeçou importantes expansões territoriais. Nesse mesmo ano a Rússia tomou a parte Este da Geórgia. Quatro anos mais tarde são conquistadas as cidades de Danghestan e de Baku.
De 1804 a 1807 as relações amigáveis com a Inglaterra permitiam à Rússia concentrar forças no Mediterrâneo contra os Franceses e os Turcos. Mas o tratado de Tilsit de 1807 encaminha a Rússia para a guerra com a Inglaterra e a Suécia, sua aliada contra a Rússia.
Em 1809, dá-se a anexação de Finlândia, após o exercito Russo, as forças imperiais, terem ocupado a ilha Sueca de Gotland, a partir da qual iniciaram a guerra no Báltico. O sucesso do exercito resultou no Tratado de Friedrichsham, que cede tanto a Finlândia como as ilhas Aland à Rússia.
A Revolução Francesa também se fez sentir na Rússia, a 24 de Junho de 1812 esta é invadida por Napoleão. Tendo falhado a sua tentativa de derrotar os Russos em terra, obtém a sua vitória através de uma série de complicadas manobras diplomáticas. Diplomatas Franceses persuadem o Sultão Turco a violar ambos os tratados que estabelecera com o Estado Russo; o tratado de Jassy, 1791 e o Acordo de Constantinopla, 1789; prometendo em troca o seu incondicional apoio. Foi assim instigada pela a França mais uma guerra Turco-Russa, que cessa no ano em que se dá a invasão Francesa na Rússia. O exercito desempenhou um papel muito importante na derrota de Napoleão, como é relatado no resumo histórico Invasão da Rússia e destroço do exercito Francês na memorável campanha de 1812 que chega até nós através de uma tradução livre por D. Joana Ribero da Silva datado de 1817.
A Alexandre I sucede Nicolau I. As provocações Inglesas adicionadas com a política com pouca visão levada a cabo por Nicolau I, que resolveu dar fim aos conflitos da Rússia com a Turquia pela força de armas, subestimando a força do Império Otomano, suportado tanto pelas forças Inglesas e Francesas, tiveram como consequência a declaração de guerra à Turquia. No verão de 1853, de acordo com a ordem do Imperador quebraram-se as negociações com a Turquia. As forças Russas entraram na Moldávia, Wallachia e no Danúbio e a 11 de Outubro os Turcos abriam fogo, para dois dias depois a guerra ser declarada por Nicolau I. A 23 de Dezembro do mesmo ano, as forças combinadas da Inglaterra e França chegaram ao Mar Negro para defender a costa Turca. No mês de Maio do ano seguinte a Inglaterra e a França declararam guerra à Rússia. A guerra da Crimeia foi a primeira a ter lugar simultaneamente em todos os mares e oceanos adjacentes ao Império. O sucesso Russo no Mar Báltico não afectou substancialmente o decorrer da guerra que se decidia a Sul, na Crimeia. Após a morte de Alexandre I, Alexandre II iniciou as negociações de paz. A 18 de Março de 1856 foi concluído em Paris um Tratado que determinava a devolução da cidade destruída de Sevastopov à Rússia em troca de Kars.
Em 1863 a Inglaterra utilizando uma insurreição Polaca como pretexto decide criar nova aliança anti-Russa. Como resposta a Rússia defende o Golfo da Finlândia e reúne parte da sua frota na costa dos Estados Unidos da América. Esta reunião estratégica pretendia alcançar dois objectivos. Primeiro, a Inglaterra que constituía uma verdadeira ameaça cessaria a sua batalha naval com o a Rússia e segundo, pela sua presença estavam em condições para ajudar os Estados Unidos na sua luta contra a Confederação.
A Rússia vê-se comprometida em nova guerra contra a Turquia em 1877. O exercito aperfeiçoado nos anos anteriores, considerado a terceira força militar a nível mundial, provou a sua utilidade. No ano seguinte, a 19 de Fevereiro foi assinado o tratado de Paz em São Stefano. O Império Otomano reconheceu a independência da Sérvia, Roménia, Bulgária e a parte sul da Bessarábia, enquanto Kars, Ardagan, Batum e Bayazet foram anexadas pela Rússia. Embora estas condições fossem aceitáveis para a Turquia, não foram reconhecidas pela Inglaterra, que enviou um esquadrão para o Mar de Marmara. Em São Petersburg foram tomadas todas as medidas de urgência para armar a frota do Báltico, assim como para a defesa da costa de Bosporus. Mesmo assim estas medidas não foram suficientes para proteger efectivamente Bosporus, já que a Inglaterra recrutara apoio de outras potências Europeias. Assim no Congresso de Berlim de 1878 a Rússia teve de devolver Bayazet e aceitar uma considerável redução no território da Bulgária independente.
Em 1880 as relações com a China deterioraram-se devido à disputa de fronteiras em Kuldzha. Mas o Japão é que viria a revelar-se como seu directo opositor. O Japão; como o provara numa breve guerra contra a China (1894-1895) a qual terminou com a anexação por parte do Japão de numerosos territórios do Império Chinês; estava empenhado em expandir o seu território. Através de canais diplomáticos a Rússia, França e Alemanha protestavam o expansionismo Japonês, mas a Rússia foi a única nação disposta a opô-la militarmente. A 1898, parte da Península de Liatung (Kwantung) assim como o porto Artur foram cedidos à Rússia pela China por um período de 25 anos. Este porto tornou-se a principal base para a o esquadrão do Pacifico.

O início do século XX
Em 1900-1901, a Rússia aliada à Inglaterra, Alemanha, França e Japão participa numa guerra contra a China, devido ao desejo Chinês de exterminar a influência estrangeira que os Chineses consideravam responsável pela degeneração do seu Império Celestial.
Três anos depois a Rússia via se envolvida militarmente na defesa do seu território contra o expansionismo Japonês. Nesse mesmo ano, o Japão perdera um terço da sua frota. Temendo mais perdas e evitando a batalha decisiva o Almirante Togo escolhe o navio do seu rival Almirante Vitgeft como seu principal alvo, o qual foi atingido. A ordem de batalha Russa fora assim quebrada. Seguindo-se numerosas derrotas a Rússia não contava já com uma vitória no mar generalizada. Tsushima foi em 1905 palco da maior calamidade. Após esta batalha 14-15 de Maio, o governo de Nicolau II concordou com as negociações de paz. De acordo com o Tratado de Portsmouth de 23 de Agosto de 1905, foi entregue ao Japão a península de Kwantung, o porto Artur assim como a parte Este da Ilha Sakhalin acima do quinquagésimo paralelo. A derrota Russa na guerra Russo-Japonesa foi um pesado golpe.

O Fim do Império Russo
A derrota da Rússia na guerra contra o Japão, em 1905, havia desencadeado uma primeira Revolução, que veio a ser dominada com a ajuda do Exército. Já nessa altura existiam os «conselhos» (sovietes) dos operários nas cidades, greves e manifestações tinham arrastado o país. O Czar reagiu através de reformas cuidadosamente introduzidas, entre outras a permissão de um parlamento consultivo- a Duma do Império, que após uma eleição por sufrágio se reúne a 10 de Maio de 1906 pela primeira vez, acabando por ser dissolvida alguns meses depois, por ser demasiadamente crítica. O Concerto Europeu que manteve a paz na Europa durante o século XIX fora desfeito. A Alemanha apresenta-se como uma grande potência. Em 1890 o jovem Imperador alemão, Guilherme demite Bismarck, recusando governar na sua sombra o que promoveu uma notável inversão de alianças. Assim como consequência das Guerras Balcânicas, da derrota na Guerra Russo-Japonesa, da ameaça Alemã e da insegurança Francesa, observamos a Rússia aliada da Sérvia, parte integrante da Tríplice Entente, constituída pela Inglaterra, França e a própria. No dia 28 de Julho de 1914, a Áustria declara guerra à Sérvia. Dois dias depois a Rússia inicia a mobilização do seu exercito, em defesa da sua irmã. Face às mobilizações Russas e francesas, a Alemanha sai em ajuda do seu aliado Austríaco, fazendo um ultimatum á França e à Rússia a 31 de Julho. No dia seguinte a Alemanha declara guerra à Rússia.
Os danos materiais e psíquicos da Primeira Guerra Mundial foram demasiados para a Rússia czarista. No principio 1917 reinava um grande descontentamento relativo às más condições de vida. Todas as linhas políticas se erguiam contra o Czar. Em 15 de Março foi constituído um Governo provisório, que fazia da Rússia uma República. Os democratas russos e socialistas moderados pretendiam a continuação da Guerra. Também entre os marxistas a luta era, agora, considerada como «ideológica». Em simultâneo com a formação do Governo provisório em Petrogrado surgiram, em muitas cidades, sovietes de camponeses que serviam de órgãos estatais. Lenine referiu-se, por conseguinte, a um «duplo governo».
Na medida em que Lenine defendia o fim da Guerra pela aceitação da derrota Russa, o Governo Alemão tinha todo o interesse em que Lenine pudesse entrar na Rússia. Chegou no dia 16 de Abril e no dia seguinte apresentou as suas Teses de Abril, que reivindicavam, entre outros temas, o final imediato da guerra e a repartição das terras. Após os Mencheviques e os Socialistas Revolucionários terem ingressado no Governo sem se verificarem progressos concretos no sentido do termo da guerra ou efectivação da reforma agrária, os Bolcheviques ganharam uma influência cada vez maior. Em Julho, falhou a primeira Revolução. Lenine conseguiu escapar à prisão, fugindo para a Finlândia, mas jamais deixou de incitar os seus amigos do partido para levar avante a Revolução. No inicio de Novembro este regressa clandestinamente a Petrogrado. Do Instituto de Smolny, dirige a revolta de 7 de Novembro. No segundo Congresso Panrusso dos Sovietes é constituído um Governo de Operários e Camponeses e Lenine é nomeado Presidente do Conselho dos Comissários do povo. Este governo recusava-se a separar o poder legislativo do executivo.
Durante o conflito, em Março de 1918 é assinado o Tratado de Brest-Litovsky, entre as potências centrais e a União das Repúblicas Socialistas. Este tratado acabou por ser anulado pelas potências vencedoras, mas mesmo assim a Rússia sofreu enormes percas territoriais: a criação dos Estados bálticos (Estónia, Letónia e Lituânia), a autonomização da Finlândia e a cedência de vastos territórios para a Polónia, Turquia e Roménia.
Em Maio de 1918, a legião Checa do exercito Russo, ergueu-se contra os Bolcheviques, o que fez rebentar uma Guerra Civil, que devastou o país durante dois anos. A 16 de Julho, o Czar e a sua família foram mortos em Ekaterimburg, a actual Svedlovsk.
Após a conclusão da paz dos Sovietes com os governos da Europa central, os generais czaristas, como Denikiv, Koltchav, Krasnov, Judeninitch e Wrangel receberam o apoio dos Aliados Ocidentais na sua luta contra o Governo Soviético. Tropas Inglesa, francesas, americanas e japonesas ocuparam o país. No entanto, dado não existirem planos coordenados, mas sim uma diferença abismal entre os seus objectivos políticos, verificou-se, finalmente, um malogro dos esforços realizados.

A Nova Política
Lenine prometera a todos os povos autonomia cultural e o direito à independência do aparelho Estatal. Apoiada pelo poder militar alemão e, posteriormente dos aliados a Finlândia, os Estados limítrofes bálticos e a Polónia conseguiram tornar-se independentes. A Geórgia e outras regiões ao Sul da Rússia foram impedidas pela força de conservar a sua independência. O brutal procedimento de Estaline foi posteriormente recriminado por Lenine. Na medida em que o partido do Poder dominava por todo o lado, os esforços no sentido da autonomia nacional não podiam concretizar-se e eram denunciados e combatidos como reaccionários – capitalistas – nacionalistas.
Em Novembro de 1920, o general Wrangel ocupou a Crimeia, o que fez cessar o confronto entre o Exército Vermelho e o Exército Branco . Em Março do Ano seguinte devido à insatisfação generalizada, os operários e soldados da Ilha de Kronstadt, revoltaram-se contra o domínio bolchevique, exigindo a readmissão de todos os partidos entretanto banidos e da libertação dos presos políticos. A revolta foi sangrentamente dominada pelo Exército Vermelho, o que foi encarado por muitos como o «pecado original» da política revolucionária.
A Revolução nas democracias do Ocidente não se concretizou. Os Governos dos Sovietes na Hungria e Baviera tinham falhado. Defrontavam-se agora partidos sociais- democratas e partidos Comunistas na sua maioria mais pequenos. O fascínio que se gerara no início da Revolução de Outubro tinha desaparecido. Lenine falou da sua retirada estratégica após anunciar a sua Nova Política Económica.
Na carta ao Partido, que só deveria ser lida após a sua morte, advertia contra Estaline que a 3 de Abril de 1922, fora nomeado secretário- geral do Parido Comunista da União Soviética. Deveria ser incondicionalmente substituído por outro camarada mais prudente e sensível.
Um dia depois da morte de Lenine, em Janeiro de 1924 a troika Sinoviev, Kamenev e Estaline tomou o Poder.

A Política de Estaline
No domingo de Páscoa de 1922, em Rapallo, assinara-se um acordo, mediante o qual Alemães e Russos declaram ter ultrapassado o seu isolamento na política externa, através do restabelecimento de relações diplomáticas, eliminação de reivindicações territoriais e de indemnizações, trabalho económico conjunto e consultas políticas. Em Dezembro do mesmo ano as Republicas Federativas da Rússia, Ucrânia e Rússia Branca, bem como a Geórgia, Arménia e Azerbeijão juntaram-se à URSS e encontraram-se sujeitas ao Governo Central de Moscovo. A região estatal da União Soviética abrange metade da Europa e quase um terço da Ásia. Em 1924, o Usbesquistão é incorporado na União. Nesse mesmo ano é fundada a República Socialista do Mar Cáspio, onde é instituído como língua oficial o Russo, assim como na totalidade da União.
Nas eleições para o parlamento Alemão em 1930, os comunistas alemães, dirigidos por Ernest Thãlman, protegido de Estaline, enfrentam os sociais- democratas. Dois anos antes o PSD e o PCA tinham-se unido e obtido quarenta por cento dos votos. No entanto os sociais- democratas formam em Berlim, um governo de coligação capitalista e nomeiam o chanceler. Estaline, que deixara de confiar no entusiasmo revolucionário dos seus correligionários alemães, incita Thãlman a combater os sociais democratas, aos quais prefere chamar «sociais- fascistas» , na qualidade de principal inimigo. Nos anos da devastadora crise económica, a percentagem de votos do PCA sobe de dez para dezassete por cento, mas os comunistas lutam contra o inimigo errado. Thãlman cumpre, rigorosamente a ordem de Estaline: a luta contra o iminente movimento Hitleriano insere-se na luta contra a social- democracia, até que em 1933 é tarde demais para os dois grandes partidos de trabalhadores. No ano seguinte a URSS ingressa na Sociedade das Nações, quando se afasta firmemente de Hitler, em Outubro desse ano Mao Tsetung arrasta as suas milícias vermelhas na lendária Marcha Longa, através do China até à região fronteiriça do Nordeste. Daí resultaram conflitos com Estaline, já que Mao não obedece e prossegue com a sua luta popular para a obtenção de um partido comunista independente que recusa as orientações de Moscovo. Em 1935, a Internacional Comunista (Komintern) alia-se com as democracias Ocidentais contra a Alemanha nacional- socialista. Enquanto na França a 14 de Julho de 1936, a Frente Popular progride, reunindo pela primeira vez, comunistas e socialistas, sendo o fundador desta frente e da sua homologa Espanhola, Estaline. No entanto a política anti fascista da Frente Popular não dura muito. A inclinação para Ocidente de Estaline falha devido ao medo dos partidos capitalistas quanto aos Bolcheviques. Propaga-se o sentimento de mal menor, no que diz respeito a Hitler.
Os Republicanos perdem a Guerra Civil Espanhola (1937/1938). Estaline, envia aos defensores Republicanos um comando do Komintern, que organiza a formação de brigadas internacionais e entrega, armas pelas quais cobra o equivalente ao tesouro espanhol. Este papel de defensor Republicano desempenhado por Estaline convém maravilhosamente para desviar as atenções internacionais dos terríveis «expurgos» ocorridos na União Soviética.
A 23 de Agosto de 1939 é assinado o Pacto de Não Agressão entre Ribbentrop e Molotov, Ministro dos Negócios Estrangeiros. Esta aliança entre inimigos ideológicos é vista com desconfiança. Hitler tinha assim carta branca para a planeada ocupação da Polónia. Um protocolo adicional “secreto” determina a divisão da Polónia e declara a Finlândia, a Letónia, a Estónia, os Estados da Bessarábia e mais tarde, também a Lituânia, como Estados satélites Soviéticos. Ribentrop informa o seu Fuher que se sente no Kremlin «como entre camaradas do partido». Estaline mostra-se seguro: «Sei que Hitler tem algo na manga. Acha que é mais esperto do que eu. Mas a verdade é que o enganei».
A 1 de Setembro de 1939, as tropas alemãs iniciam o combate, nas fronteiras com a Polónia. Tinha assim começado a Segunda Guerra Mundial. Hitler sente-se garantido com o Pacto Germano- Soviético, não tendo no entanto contado com que a França e a Inglaterra cumprissem com a sua promessa de apoio à Polónia, e declarasse guerra à Alemanha dois dias depois. Esta evolução é conveniente para Estaline, já que a Alemanha via-se militarmente obrigada a virar-se também para o Ocidente. Os exércitos de Hitler saem vitoriosos da campanha contra a Polónia, consequentemente Estaline vai buscar a sua parte. O Exército Vermelho invade a Polónia Oriental e ocupa os Estados Bálticos. A Finlândia revolta-se contra a ocupação Soviética e oferece resistência. Após três meses e meio em Março de 1940, Estaline abandona o campo de batalha e assina a paz com a Finlândia. Hitler convence-se que o Exército Vermelho é muito mais fraco do que tinha pensado, assim após a sua política de conquistas relâmpago no Ocidente, substitui a sua estratégia pela conquista de espaço vital no Leste. O Exército Vermelho, avança de sudeste sobre a Alemanha, as tropas de Hitler são expulsas da Búlgária, Hungria, Jugoslávia e por fim, da Checoslováquia. O «libertador» Estaline, negoceia, em Outubro de 1944, em Moscovo com Churchill, uma delimitação de interesses na Europa de Sudeste; segundo a proposta de Churchill, a Roménia devia aceitar 90% de influência russa, a Bulgária 75% e a Jugoslávia e a Húngria 50%. Assim Estaline parte do principio de que Churchill fala em nome de todos os Aliados Ocidentais, confirmando o domínio Soviético na Europa do Leste.
Em Maio de 1945, Berlim caí. Estaline elogia o facto de Eisenhower ter detido as tropas Americanas junto ao Elba, permitindo ao Exército Vermelho conquistar Berlim. A 1 de Maio, mesmo antes do fim das negociações, o Exército Vermelho trouxe até Berlim o grupo «Ulbritch», emigrantes comunistas alemães que apoiados pelo Governo militar Soviético, asseguraram logo de início na sua zona de ocupação, as posições fulcrais na administração e economia. Na conferência dos vencedores em Prosdam, a Julho do mesmo ano a metade Norte da Prússia Oriental é concedida à União Soviética. Estaline recusa, mais tarde, quaisquer interferências nas questões dos países da Europa Central e de Leste dominados pelo Exército Vermelho, anulando o direito de voto das potências Ocidentais na zona conquistadas pelos Soviéticos. A União Soviética de Estaline, ascendeu à qualidade de potência mundial juntamente com os Estados Unidos da América. A 24 de Junho de 1948 os Soviéticos bloqueiam todas as vias de acesso a Berlim Ocidental, sob o pretexto da reforma monetária a introduzir nas zonas Ocidentais. Tentam colocar Berlim sob seu controlo. A 12 de Maio, Estaline desiste, face à resistência dos Berlinenses. Em Outubro do mesmo ano, Estaline, reivindica as indemnizações que tem a receber de toda a Alemanha. Como consequência a recém formada Republica Federal Alemã quase se desfaz.
Em 1949, Estaline testa a bomba atómica, mas face à Guerra na Coreia, mesmo na posse de armamento nuclear abstêm-se de desencadear um confronto directo entre as duas super potências. O ataque Norte- Coreano faz aumentar o receio Europeu quanto aos Comunistas. Os Aliados pensam em erguer uma defesa na República Federal da Alemanha diante da estratégica «cortina de ferro».
A 5 de Março de 1953, Estaline morre de uma hemorragia cerebral, o tradicional incentivador de sentimentos patrióticos, tornara-se em 1945, em opressor e tirano, mas mesmo assim, como acontecera no enterro de Lenine, milhares de pessoas se reuniram na Praça Vermelha. A insegurança impôs-se, com o desconhecimento do rumo que seguiria o país sem aquele que ao longo de três décadas cunhou o país. Nesse mesmo ano após a luta pela sucessão de Estaline, Malenkov consegue o lugar de primeiro secretário do partido e a presidência do Conselho de Ministros. Em Setembro é substituído na direcção do partido por Nikita Kruschev, no fim do ano Beria é fuzilado juntamente com seis colaboradores mais próximos do terror infringido ao povo Russo. A última eliminação ao estilo de Estaline.

De Kruchev a Gorbachov
A 17 de Julho de 1953 uma revolta popular na República Democrática alemã é dominada sob a pressão do Exército Vermelho. Dois anos depois dá-se o reatar das relações diplomáticas entre a União Soviética e a República Federal da Alemanha.
Em Maio de 1955, Kruchev visita Tito, o chefe de Estado Jugoslavo, que fora o primeiro a ousar furtar-se da tutela de Moscovo. Este encontro com Tito fez com que Kruchev passasse à ofensiva no que diz respeito à desmistificação da personagem de Estaline, sentindo-se incomodado com os comentários de Tito quando foi citado Beria como o responsável pela questão do terror. Assim no XX Congresso do Partido, a 14 de Fevereiro de 1956, 1424 delegados reuniram-se em Moscovo. No décimo dia da Conferência, após intermináveis debates, Kruchev pronunciou o discurso que transformou o comunismo. Kruchev queria ser o reformador, assim acreditando no sucesso do comunismo defende que a União se deve tornar a primeira potência industrial do Mundo.
A desestalinação afectou o bloco do comunismo mundial. O Kominform, a central ideológica comunista, desfez-se. Na declaração de Belgrado de 1955, Moscovo proclamou o princípio da não interferência nos assuntos internos dos outros partidos e acentuou que existiam caminhos diferentes para o comunismo. Política que veio a revelar-se contrária à política externa da União. Surgem os primeiros problemas na Aliança Moscovo- Pequim. Cinco anos depois a guerra tem inicio. Mao Tsetung denuncia a liderança de Moscovo como «revisionista» e a coexistência pacifica como «capitulação burguesa- pacifista». A ruptura seria irrecuperável.
No Verão de 1956, Moscovo vê-se obrigado a ceder o seu poder sobre a Polónia, após a revolução encabeçada por Vadislav Gomulka. Enquanto que a Hungria em Outubro desse ano vê a sua revolução adiada.
Em Berlim a 13 de Agosto de 1961, a fim de terminar com a vaga de fugas para o Ocidente, o Governo da RDA decide construir um muro de separação entre a parte oriental e ocidental da antiga capital do Reich.
No ano seguinte no mês de Outubro, é eminente a terceira guerra mundial. Os Estados Unidos sentam-se ameaçados pelas rampas de lançamento diante das suas costas. Fidel Castro exigira protecção de Moscovo contra o invasor capitalista e Krutchev transformara a ilha das Antilhas numa base soviética de mísseis. Se os Americanos recuassem perderiam toda a América Latina. Mas Kruchev cedeu, tomando como contrapartida o respeito Americano pelo regime de Castro. Este facto marca uma viragem positiva no relacionamento das superpotências. Os dois tinham chegado a um ponto sem retorno. Nesta altura é instalada uma linha directa entre a Casa Branca e o Kremlin. O descontentamento Moscovita relativamente Kruchev aumenta consideravelmente. Mesmo as suas políticas culturais eram mal vistas aos olhos do Partido . Kruchev acomulava os dois cargos mais importantes na sua pessoa mas nunca foi senhor absoluto no Kremling. A 13 de Outubro Kruchev é convidado a demitir-se do seu cargo. Se assim não o fizesse seria submetido a uma votação do no Comité Central. Este optou pela segunda, a sua acusação abrangia 29 pontos desde erros aventureiros até prejuízo da direcção colectiva. A sua retirada processou-se de forma civilizada.
Leolid Brezhnev, esteve 18 anos na liderança da União Soviética. Com a sua maquinaria militar e a omnipresente polícia secreta do KGB, tanto no interior como no exterior. Neste período percorria-se o caminho do declínio. Os abastecimentos da totalidade dos produtos era mantida através do mercado negro, que assumiu gigantescas proporções. Cidadãos do Estado ganhavam individualmente, milhões. Constituíram-se organizações da Mafia, infiltrada na policia, na gestão da industria e no Partido. Breznev apoiou-se na engrenagem administrativa, preservando os privilégios da Nomenklatura , o que conduziu ao seu crescimento.
Em Agosto de 1968, a Rússia marcha sobre a Checoslováquia, para colocar um fim às reformas do PC, encabeçado por Alexander Dubech e em Março do ano seguinte Mao exige de volta extensas regiões do extremo oriente, confiscadas pelo Czar, no sec.XIX, à China. Entretanto, relativamente à guerra do Vietnam, Moscovo apoia Hanoi de Ho Chi Min e os comunistas do Sul numa luta militar e moral contra os Americanos. Não havia qualquer interesse num conflito armado entre as duas superpotências, já que poderia vir a ser último da História Mundial. Em 1979, o Exército Soviético invade repentinamente o Afeganistão, num claro aviso aos EUA, que após se afastarem do Irão procuravam novos pontos de apoio nos flancos da União. O Afeganistão não permitiu a ocupação. Após a morte de Breznev, nos dois anos seguintes a União conheceu Iuri Andropov e Konstantin Chernenko que desencadearam hesitantes tentativas de reforma, mas respectivamente, passado um ano tiveram o mesmo fim de Brevnev.
Gorbatchov exigia profundas remodelações, no caminho para a democracia socialista. Eram lançados os conceitos de «reestruturação», Perestroika e «abertura» Glasnost no vocabulário político internacional. Ao mesmo tempo que dava liberdade de pensamento, Gorbatcov tornava os intelectuais nas bandeiras da Perestroika . Internacionalmente era admirado, logo era solicitado para negociações. Mas no seu Estado a catástrofe estava eminente, tudo correu mal desde o problema económico agravado, a poluição ambiental até à explosão em Chernobil. O descontentamento dos Russos relativamente a Gorbatchov eram notórios.

A Queda da União Sovietica
A 15 de Janeiro de 1985 expõe o plano progressivo para o desarmamento do mundo. Nesse mesmo ano procura a colaboração numa Comunidade Europeia. Admite que o Pacto de Varsóvia perdera significado e incita a OTAN a organizar um novo sistema de segurança. Em Novembro de 1988 modificou a constituição. É eleito presidente da URSS em Maio de 1989, enquanto se dava a reunificação de Berlim, eliminando o Artigo 6º em 1990. O que possibilitou que Boris Ieltsin vencesse o seu adversário de esquerda Gorbatchov, dada a insatisfação Moscovita. Em 1986 iniciou-se no Cazaquistão o conjunto de revoltas sangrentas contra a tutela Russa. A Lituânia foi a primeira República Soviética a declarar a sua independência de Moscovo. A Estónia e a Letónia seguiram-lhe o exemplo pouco depois A própria Rússia e a Ucrânia proclamaram a realidade das suas leis sobre as da União Soviética, assim o presidente desencadeou esforços no sentido de uma nova constituição Federal.
publicado por Lynx Studio às 14:11
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